Comentários sobre a obra Shanghai Lilly

Resenha por Newton de Mello, Brasil, 27 de novembro de 2017.

Prezado António Paixão,

Concluí a leitura do seu “Shanghai Lilly”! Trabalho impressionante pelo de fôlego multi-facetado! Retrato nítido de períodos férteis da história recente de São Paulo e do Brasil, ambos inseridos num cenário internacional complexo.

O texto é dicotômico. Quando ela fala, ela é simultaneamente 1) “ilustrada” e 2) “tarada”.
Ilustrada pelo entendimento do mundo econômico de hoje e sua rara compreensão das causas e consequências entrelaçadas pela política internacional.
Tarada pela convicção que pela via sexual manobra e dirige as coisas ao seu redor em torno de seu exclusivo interesse. Isso além da busca incessante de um orgasmo final e insuperável em todos os aspectos de sua vida.

De um lado há uma constante tensão no ar, nos ambientes do drama e nos riscos assumidos conestantemente por ela, a heroina anti-ética e libertina. De outro lado respira-se uma atmosfera sexual desinibida e objetivamente desafiadora.

O « julguem » inserido após vários relatos de condutas e procedimentos, desafia o leitor ou a leitora, a interagir com a « autora / autor », assumindo juízos de valor frequentes e por vezes até cansativos. Personagem curioso é o pai GG que, de origem árabe-libanesa, mostra-se exageradamente americanista. Seu ocultamento de suas reais origens e ênfase num internacionalismo algo forçado não combina com a colônia sírio-libanesa que conheço no Brasil.

Toda a obra é instigante, tanto pelos aspectos erótico-histórico-políticos, como pela ansiedade que promove no leitor/leitora.

Em resumo, cumprimento-o efusivamente, amigo António Paixão, pela maestria com que conduziu o texto, o drama e pelo colorido intenso contido nos atores da obra.

Forte abraço,

Newton de Mello

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António Paixão
ESCRITOR
António Paixão é um desgraçado jornalista permanentemente desempregado. É um velhote neurastênico, comunista de carteirinha, mas com uma cultura eclética e pouca disposição para brigar, porque procura, mas sem sucesso, ser simpático. Como todo jornalista, António Paixão não funciona sem álcool, pois é uma pessoa pouco confiável por muitas razões, dentre as quais por ser do sexo masculino, carioca e torcedor do Botafogo. Em São Paulo, torce pelo Corinthians e, em Portugal, pelo Vila Real. Julguem.