Nuvens lentas

Poesia para o livro Antologia Poética da União Brasileira de Escritores, São Paulo, outubro de 2018.

Aos nove anos,
deitado no pasto,
vinham-me as dúvidas.
Hipnotizado, olhava as nuvens
lentas a desfilar no céu azul.
Tudo parecia devagar.

Executivo depois,
comia carniça.
Em nada prestava atenção.
Não tinha mais emoção,
apenas estranhezas,
para além da cobiça.

Hoje aposentado, inerte e
sem sorte, aguardo a morte.
Estou novamente deitado.
Caem as folhas no inverno.
Como são velozes as nuvens!
Quando virá a noite?

António Paixão on EmailAntónio Paixão on Facebook
António Paixão
ESCRITOR
António Paixão é um desgraçado jornalista permanentemente desempregado. É um velhote neurastênico, comunista de carteirinha, mas com uma cultura eclética e pouca disposição para brigar, porque procura, mas sem sucesso, ser simpático. Como todo jornalista, António Paixão não funciona sem álcool, pois é uma pessoa pouco confiável por muitas razões, dentre as quais por ser do sexo masculino, carioca e torcedor do Botafogo. Em São Paulo, torce pelo Corinthians e, em Portugal, pelo Vila Real. Julguem.