A obra do Capetão

Novo poema sobre as mazelas políticas, Brasil, 20 de março de 2020.

Que Macunaíma, que nada;
eu fui a própria cagada.
Comigo, Ele não fraquejou;
ao invés, muito bem defecou.

E foi o próprio Capetão,
Ele mesmo quem me fez,
ali na frente de todos,
bem no meio do saguão.

Aleluia, aleluia,
gritavam os sicofantas,
em mantra repetitivo,
de evangélicas antas.

E a todos perguntava
o bravo Capetão:
como irei chamar este montão?
Estrume, bosta, titica, merda, troço ou cocôzão?
Compungidas, responderam
as beatas antas:
precisamos de um nome legal,
vamos ungi-lo como Eduardo Fecal.

Houve uma genuína reação geral:
palmas, bacanal de chifres,
e peidos de enxofre no farto capinzal.
Aleluia, irmão!

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António Paixão
ESCRITOR
António Paixão é um desgraçado jornalista permanentemente desempregado. É um velhote neurastênico, comunista de carteirinha, mas com uma cultura eclética e pouca disposição para brigar, porque procura, mas sem sucesso, ser simpático. Como todo jornalista, António Paixão não funciona sem álcool, pois é uma pessoa pouco confiável por muitas razões, dentre as quais por ser do sexo masculino, carioca e torcedor do Botafogo. Em São Paulo, torce pelo Corinthians e, em Portugal, pelo Vila Real. Julguem.