Annus Horribilis – 2020

Da adega onde se encontra recolhido por quarentena voluntária, em meio a tonéis vazios, António Paixão nos envia o seguinte poema…

Oh, Meu Senhor,
venho, em tempos horríveis,
oferecer minha humilde oração,
com todo o fervor e
muita compaixão.

Com o poder de seu amor,
afastai os horrores da peste
de seu humilde povo,
que vive no terror,
do tinhoso dragão.

Por que é, Senhor,
nestes tempos tenebrosos,
desapareceu do coração o calor,
substituído pela frieza do rentismo,
o mais ignóbil terrorismo?

Sobrou apenas uma ilha de piedade.
É na humilde Cuba,
que sobreviveu a solidariedade.
Ali, junto às portas do inferno,
está a esperança para Humanidade.

Da batina negra de Vieira,
e dos púlpitos da decência,
veio a lição de fraternidade,
transformada pelo nobre Comandante,
em bandeira da dignidade.

Explique-me, oh Senhor,
Por que tem o pobre mais a dar?
Por que é o comunista
quem melhor expressa o Humanismo
e também os valores do Cristianismo?

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António Paixão
ESCRITOR
António Paixão é um desgraçado jornalista permanentemente desempregado. É um velhote neurastênico, comunista de carteirinha, mas com uma cultura eclética e pouca disposição para brigar, porque procura, mas sem sucesso, ser simpático. Como todo jornalista, António Paixão não funciona sem álcool, pois é uma pessoa pouco confiável por muitas razões, dentre as quais por ser do sexo masculino, carioca e torcedor do Botafogo. Em São Paulo, torce pelo Corinthians e, em Portugal, pelo Vila Real. Julguem.